quarta-feira, 6 de maio de 2026

Zona Azul sai do papel e vira realidade em Feira de Santana

 



Depois de anos de debate e promessas, a Zona Azul finalmente começa a ganhar forma em Feira de Santana. A Prefeitura publicou o Decreto nº 14.489, de 5 de maio de 2026, regulamentando o sistema de estacionamento rotativo pago nas vias públicas do município — uma medida que deve impactar diretamente o cotidiano de motoristas, comerciantes e consumidores.

Na prática, o governo municipal aposta na Zona Azul como solução para um velho problema: a dificuldade de encontrar vagas, principalmente nas áreas de maior movimentação comercial. A proposta é simples no papel — aumentar a rotatividade, melhorar o fluxo de veículos e “democratizar” o uso do espaço público. Resta saber como será a aceitação popular na prática.

O modelo adotado abre espaço para dois caminhos: operação direta pela Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) ou concessão à iniciativa privada, por meio de licitação. Este segundo ponto, inclusive, já chama atenção nos bastidores políticos, principalmente pelo prazo que pode chegar a até 20 anos de contrato.

Outro destaque é a digitalização do sistema. A Zona Azul de Feira deve nascer com tecnologia: controle por placa, pagamento eletrônico e fiscalização com leitura automática (OCR). A promessa é reduzir fraudes e dar mais eficiência ao serviço — mas também levanta questionamentos sobre fiscalização e possíveis autuações automatizadas.

O funcionamento seguirá o padrão já conhecido em outras cidades: de segunda a sexta, das 8h às 17h, e aos sábados até as 13h. O tempo máximo de permanência será de duas horas por vaga, obrigando a rotatividade. Já os valores foram definidos em R$ 2,50 por hora para carros e R$ 1,00 para motocicletas, com cobrança proporcional.

O decreto também deixa claro que não haverá gratuidade irrestrita. Mesmo idosos e pessoas com deficiência, embora tenham vagas reservadas, não estarão isentos da tarifa — ponto que pode gerar debate entre setores da sociedade.

Outro aspecto importante: o município se exime de qualquer responsabilidade sobre danos ou furtos de veículos estacionados nas áreas da Zona Azul, reforçando que o serviço não é de guarda, mas apenas de organização do espaço público.

A Prefeitura defende que a medida vai trazer mais organização ao trânsito e garantir melhor uso das vagas, além de gerar receita que poderá ser revertida para a mobilidade urbana. Já críticos tendem a questionar se o sistema, na prática, não acabará funcionando como mais uma forma de arrecadação.

Com o decreto em vigor, o próximo passo será a implantação efetiva do sistema — e aí começa o verdadeiro teste: o da rua, onde a teoria encontra a realidade.


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