Crédito: Pexels, Nascimento JR
Já era rotina. Todos os dias, Edimilson Couto Santana pegava a moto para levar seu filho do sítio onde moravam até o centro de Santa Teresinha, no interior da Bahia, onde o garoto seguia para o colégio de transporte escolar. Até 16 de abril de 2025. Naquele dia, no trajeto diário de menos de 5 km, a motocicleta se chocou com um caminhão que estava parado na beira da estrada, sem sinalização.
Edimilson morreu no local, aos 59 anos. O filho, Átila, com apenas 13 anos, foi encaminhado a um hospital na cidade de Santo Antônio de Jesus, com lesões graves na coluna que o deixaram com tetraparesia.
“Eu brigava todos os dias para ele usar capacete, falava sempre. Porque evita um acidente grave como o que aconteceu, uma morte de uma pessoa querida”, diz Glaucia Melo, esposa de Edimilson e mãe de Átila. “Meu marido sempre falava: ‘não, é rapidinho, não precisa’. E aconteceu essa fatalidade.”
Átila está entre as 13.923 pessoas que foram internadas em 2025 devido a acidentes com motocicletas na Bahia. O número representa uma alta de 82.59% em cinco anos – em 2020, esse tipo de acidente causou 7.625 internações.
Só nos dois primeiros meses de 2026, foram registradas 2.340 internações em território baiano. Desses, a maioria eram homens: 1.873, ou 80%. A maior parte das pessoas envolvidas nos acidentes (671) eram pessoas jovens, entre 20 e 29 anos.
O número de crianças e adolescentes, porém, também chama atenção: 280 das pessoas internadas tinham até 19 anos. Dessas, 228 eram adolescentes entre 15 e 19 anos.
Presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Trânsito (IBDTrânsito), Danilo Costa afirma que o aumento expressivo das internações de motociclistas está diretamente relacionado à ampliação do uso da motocicleta como meio de transporte e instrumento de trabalho. “Trata-se de um modal naturalmente mais vulnerável, que expõe o condutor a riscos significativamente maiores em comparação com outros veículos”, diz.
Além da intensificação do uso da motocicleta para deslocamentos urbanos, transporte de passageiros e atividades de entrega, ele menciona outro fator importante para o número expressivo de acidentes: a persistência de comportamentos de risco, como o excesso de velocidade, a realização de manobras proibidas e o desrespeito às normas de circulação.
“O não uso do capacete, ou seu uso inadequado, agrava significativamente as consequências dos sinistros, especialmente no que diz respeito a lesões graves e fatais. Portanto, não se trata de uma única causa, mas de uma combinação entre maior exposição e condutas inseguras”, defende Costa.
Prevenção
Os cuidados com sinistros de trânsito passam, sobretudo, pelo comportamento do condutor. De acordo com Danilo Costa, estudos indicam que aproximadamente 90% dos acidentes de trânsito estão relacionados a falhas humanas.
“Nesse contexto, é fundamental que o motociclista adote uma postura de condução defensiva, o que inclui antecipar riscos, manter distância segura dos demais veículos, respeitar os limites de velocidade e observar rigorosamente a sinalização viária”, afirma.
Correio24horas
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