O lemborexante, que deverá ser comercializado sob o nome Dayvigo, pertence à classe dos antagonistas duplos do receptor de orexina (DORA). Isso significa que atua diretamente sobre os receptores de orexina 1 e 2 (OX1 e OX2). Também conhecida como hipocretina, a orexina é um neuropeptídeo produzido na região do hipotálamo lateral, que exerce papel central na manutenção dos estados de vigília e alerta, bem como da estabilidade do ciclo sono-vigília. Conforme reduz os sinais que mantêm o cérebro em alerta, a substância favorece a transição para o sono, em um movimento mais próximo do fenômeno fisiológico de adormecimento.
Como age o lemborexante
No estudo clínico SUNRISE 1, cujos resultados foram publicados em 2019 na revista JAMA, o lemborexante reduziu o tempo de adormecimento dos participantes com histórico de insônia em comparação a grupos que receberam placebo ou zolpidem. Também houve melhora na eficiência do sono: os voluntários que receberam a medicação tiveram mais de 60 minutos adicionais de sono por noite.
Em um estudo clínico posterior, o SUNRISE 2, testou-se a eficácia e segurança da substância em comparação a um placebo ao longo de seis meses. Os resultados, descritos em um artigo publicado em 2020 na revista Sleep, mostraram benefícios consistentes em parâmetros fundamentais do sono. Mais de 30% dos participantes em tratamento com o remédio atingiram critérios de resposta para início do sono, contra 18% no placebo. Em relação à manutenção do sono durante toda a noite, os índices mantiveram-se no patamar de 30% a 35% nos grupos ativos, frente a apenas 20% no placebo.
“Ao diminuir o estado de hiperalerta cerebral, que frequentemente sustenta a insônia crônica, o medicamento não ‘desliga’ o cérebro de forma generalizada. Do ponto de vista neurobiológico, esse processo leva a um sono mais próximo daquele esperado quando desencadeado por mecanismos fisiológicos naturais”, explica o neurologista. “Os antagonistas dos receptores de orexina representam uma das mudanças mais interessantes no tratamento farmacológico da insônia nas últimas décadas.”
Quando indicado, o medicamento deve ser aliado a outras abordagens terapêuticas, como a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). “Até 30% dos pacientes apresentam regressão dos sintomas apenas com a TCC-I e, hoje, existe a possibilidade de realizar esse acompanhamento de forma online, muito mais acessível”, aponta Nascimento, que falou sobre o tema durante o 1º Congresso Internacional Einstein de Psiquiatria, Saúde Mental e Bem Estar, realizado em abril.
A estratégia combina técnicas de reeducação do sono, controle de estímulos, restrição do tempo na cama, higiene do sono e manejo de pensamentos ansiosos relacionados ao ato de dormir. O objetivo é quebrar o ciclo de comportamentos e crenças que perpetuam a insônia, auxiliando o paciente a recuperar um padrão de sono mais estável e reparador.
“Evitar o celular na cama, reduzir os ruídos e a luminosidade no quarto, manter uma temperatura adequada no ambiente, evitar a cafeína e o tabaco antes de dormir e praticar atividade física regularmente são mudanças de comportamento que trabalham em conjunto com a medicação no tratamento da insônia”, ressalta o diretor médico da Eisai. “Inclusive, é justamente por meio desse manejo amplo do problema que pode chegar um dado momento em que o paciente poderá até parar de usar o medicamento.”
Fonte: Correio24horas
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