quarta-feira, 5 de outubro de 2016

PESQUISADOR COMEMORA VACINA, MAS ALERTA: "DENGUE NÃO VAI ACABAR AMANHÃ"



A primeira vacina contra a dengue já está acessível gratuitamente para a população de 30 municípios do Paraná. Embora ainda não exista previsão para que outras regiões do país sejam beneficiadas pela novidade, a espera não deve ser longa.

A notícia é comemorada por especialistas, mas o pesquisador João Bosco Siqueira Júnior, da Universidade Federal de Goiás (UFG), alerta que é preciso dosar a euforia, já que leva tempo entre a introdução de uma vacina e a percepção de seu impacto na saúde da população.




O mosquito Aedes aegypti é responsável pela transmissão da dengue, da febre chikungunya e do vírus ZikaArquivo/Agência Brasil


Siqueira Júnior lembrou que, no passado, a introdução de outras vacinas demoraram a surtir efeito na população e que as gerações atuais vivem um cenário em que várias doenças já estão erradicadas. "Essa pessoas, não têm a vivência, por exemplo, de que entre o início da vacina da poliomelite e o controle da doença, se passou um bom tempo. Então é preciso educar a população nesse sentido, pois a dengue não vai acabar amanhã", disse ele na 18ª Jornada Nacional de Imunizações.

O laboratório francês Sanofi Pasteur é o responsável pelo desenvolvimento da vacina contra a doença, que é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Como não há muitos casos de dengue na França, a avaliação de campo ocorreu na Ásia e na América Latina, incluindo o Brasil. O imunizante é indicado para pessoas entre 9 e 45 anos e deve ser aplicado em três doses com intervalos de seis meses.

Registrada em dezembro de 2015 na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprimeira campanha da vacina atendeu a rede pública do Paraná, em julho. A primeira dose já foi distribuída a 30 municípios. Em 28 deles, a campanha tem como público-alvo pessoas entre 15 e 27 anos. Nas outras duas cidades, atende a faixa etária entre 9 a 45 anos.

Enquanto não chega à rede pública de outros estados, a vacina pode ser encontrada em hospitais e clínicas de imunização privados. O custo para os estabelecimentos varia entre R$ 132 e R$ 138, conforme determinou a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). Para o consumidor, o valor sai mais caro.

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, também avalia de forma positiva a novidade, mas ressalta o desafio de conscientizar a população.

"A vacina é ótima. Tem uma eficácia de mais de 90% para as formas mais graves da doença. O único ponto negativo é a necessidade de três doses. Por que digo isso? Porque é muito difícil vacinar o adulto. Quando o alvo é uma faixa etária de 9 a 45 anos, há um desafio enorme de trazer as pessoas para a sala de vacinação. Ainda mais quando precisamos fazer isso três vezes, em intervalos de seis meses"

Ebc



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